quarta-feira

Mais longe

Sei que não sou escritor, possivelmente nunca o serei, mas não é por isso que deixo de tentar. Se tentar alcançar a lua, pode até ser que não lá chegue, mas com os pés na terra não fico, digo. E ris-te na minha cara, primeiro um sorriso breve, depois uma gargalhada que te ocupa a totalidade do rosto. Chamas-me:

- pateta

Cartas a Mónica

terça-feira

Como um sopro

Trepa-me a alma
alcança-me.
Dança no embalo dos dias que são meus
Quero dar-te os sonhos
partilhar dias
entregar-te as noites que me são vazias
enrolar os dedos
nos teus.

Que as mãos
são
a maior entrega.

Escorrega-me nos dias vãos
que passam, a voar,
sem que os agarre.
Agarra-me.



Que eu ando solta pelo ar.

sexta-feira

Não adianta...

hoje não me apetece trabalhar.

terça-feira

Nome de santo

Uma aldeia à beira mar plantada... com nome de santo.
Como santo é o tempo que por lá passa, descalço. Tal como eu, descalça. Para cima e para baixo, pousando os pés nos quadradinhos mais largos da calçada!

As casinhas em cadência a descer a encosta, as rotundas onde todas as ruas vão dar. De um lado... que do outro, entregam-se ao mar!
Imenso e infinito, praias que nos oferecem kilómetros de areia aos pés.
E logo ao lado, infiltrada por entre as casas, até rompendo varandas, tem a mata que el rei fez. Densa, verde, cansa-se o pescoço a olhar para cima procurando o fim de cada árvore. Que não finda! Rasga o céu.

Voltas de bicicleta, ora o mar, ora a mata... e o rio Moel sempre ao lado, serpenteando, escorrendo de pedra em pedra, barulho de água, baixinho, shiu...
Deixa-me ouvi-lo cantar!
A ele. Ao mar. Ao vento por entre as folhas. Aos pássaros todos que ali vivem.
Certamente felizes! E contagiam.

.

A noite chega de mansinho...
Vou a pé até ao bar, mãos nos bolsos, amigos nossos, pais e filhos. O som embala e os risos andam por ali a pairar, entre piadas sem pretensão.
O corpo balança, num bar não se dança, mas ali... porque não?

Volto para casa enquanto o sol não desperta, quase quase... Quero acordar de manhã, espreguiçar os braços e abraçar dia.
Comprar pão. Pipocas e alcagoitas. E acordar-vos com um sorriso e a alma escancarada!

Vamos para a praia? Vou descalça. A fazer pontaria aos quadradinhos mais largos da calçada.

quarta-feira

Que graça teria?

Ontem, em Belém, entre dois passos de uma corrida, passaram por mim duas bicicletas.
Um pai para um filho:
Se fores sempre ao mesmo ritmo não te cansas.
Mas também não se diverte nada! pensei eu.

Com a vida, é mais ou menos a mesma coisa.
Espero que o miúdo não tenha aprendido a lição.

segunda-feira

E tudo o vento deixou...!

Em Tarifa, o vento vive em bebedeira. Esperneia e rodopia... só não cai tonto no chão, não cai nunca, nunca cai. Em Tarifa, o vento vai! E volta. E a areia anda solta, como borboletas pelo ar. Levanta e voa.

"E se fechares os olhos, abrires os braços, voas também!"
"Mentira!", disseste tu. Mas então confiaste, fechaste-os e abriste as asas da imaginação. Voaste então? Voaste! Voei eu também. E abracei o ar, fui parar além. Envolvi o vento. E o tempo todo que estivémos juntas. Foi pouco? Passou a correr... soube bem!

Em Tarifa, as praças esteitas, as ruelas direitas, os largos apertados, cruzados os passos em labirinto. O branco das casas, os bares embebidos em vida, repletos... de brasas! E o vento, a trazer de África o calor. Sete cañas por favor!
Quatro risos, em oito piadas parvas, sete abraços.
A areia sem passos. Que até as pegadas, o vento leva!

Algo de mourisco a pairar. O vento passa, mas deixa no ar. As lojas de esquina em esquina, os co(r)pos de bar em bar. Um certo ar de medina, ou não fosse Marrocos ali tão perto. À distância de um kite aberto!

As cores... como tecto. O céu, repleto. De velas, encarnadas, fluorescentes, amarelas, escancaradas.
De estrelas!

Em Tarifa. O vento voa. Mas o tempo, apenas passa.
Sem pressa.
Com calma e havaianas nos pés.

Crês en el amor à primera vista? o tengo que pasar otra vez...?

terça-feira

... são os loucos de Lisboa

És corpo.
Alma e carne, cruzada por carros e gentes, que te percorrem as artérias. Qual glóbulos vermelhos e brancos, a correrem nas veias com a consciência de uma missão fatal...!
Como se morresses sem nós. Morrerias?
És cidade.
Sensual. Íntima. Mulher cheia de segredos, dores e alegrias, memória de personagens, histórias, farras, noites loucas de alegrias ensopadas, mulheres trôpegas mal amadas vendendo o corpo e... no Saldanha um louco, dizendo adeus!
Louco?
Talvez o sejamos, nós todos! Um pouco. Talvez olhe para nós condescendente, do alto do seu sorriso indestrutível e pense, por cima do ombro "loucos!", enquanto acena com a mão.
E tem razão.
Loucos somos nós, nesta correria, em que só o que pouco importa cabe na agenda.
Em que, tantas vezes, nem um sorriso cabe no olhar.

segunda-feira

Sting em Fé maior

I never saw no miracle of science
That didn't go from a blessing to a curse
I never saw no military solution
That didn't always end up as something worse but
Let me say this first

If I ever lose my faith in you
There'd be nothing left for me to do


A fé. Em todos os povos. Todos os credos. Todos os deuses.
Todas as cores.
Todos iguais.
A fé. Em cada um de nós. No que está antes, no que vem depois.
No próximo.
No distante. No que ficou para traz.

A fé. Nos outros. Na boa-vontade de todos.
E apenas assim,
a paz.

quinta-feira

deste-me uma chapada...!

No auge do atrofio, quando tudo em mim era atrito e tudo em ti enervante,
rasgaste a cena:

- Estás-me a irritar taaaaaaanto! Dá-me um abraço.

E eu abracei-te,desarmada.

Deste-me, no outro dia,uma chapada...
... de luva branca. E uma lição.

quarta-feira

O ódio

É uma escada, que se sobe a dois e dois.
Uma escalada. Fácil de trepar... e quando se chega lá acima, nem se sabe muitas vezes como é que se foi ali dar.
O ódio, é uma bola de neve. Quente.

E a cada instante, é-nos dado a possibilidade de a acrescentar ou dissolver.
De entrar ou não no jogo.
De compreender.
De ouvir, aceitar... e às vezes perdoar. De ser maior. Não deixar ir, engolir, cozinhar... ir atrás, dos ânimos que já vão altos.

No fds passado Ben Harper esteve cá. No ano passado tembém e por essa altura fui ouvi-lo. O momento mais fantástico do concerto, não foi porém, Burn One Down (uma música que independentemente da erva... apela à tolerância). Foi outra.
I can make a better world With My Own Two Hands .

Naquele momento, extenso e enorme, milhares de pessoas puseram as mãos no ar. Desarmadas. E sentiram que podiam, de facto!
Fazer um mundo melhor, em cada momento.
Se em cada momento optassem pela paz.

Porque é em cada um de nós, afinal, que a paz começa. Ou acaba.
O resto, que aparece nos noticiários, são apenas bolas de neve, que cresceram de mais, sem que nenhuma das partes a detivesse.

terça-feira

O Princepezinho

Ontem, entre as duas voltas de uma insónia, resolvi ler O Princepezinho.
As pessoas grandes, sempre me disseram que era um livro para crianças.
Mas não é. Está lá tudo o que é preciso saber para se ser feliz.

As pessoas grandes são assim.
Nunca percebem nada sózinhas e as suas perguntas nunca vão ao essencial.
Não vale a pena zangarmo-nos com elas.


É que no fundo, como dizia Almada,os adultos são crianças com os olhos fechados.
E isso é muito triste.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?