segunda-feira
Baraka
Baraka é, em tradução linear, um sopro, suspiro.
Baraka é, também, um filme, documentário lindíssimo, de uma serenidade avassaladora,
de uma beleza cortante.
Baraka é, na verdade, não um sopro, mas um grito. Dado quase em silêncio, sem vozes nem legendas - apenas imagens embrulhadas numa banda sonora cirúrgica.
Baraka é, em última análise, o berro sufocado de um planeta, onde a perfeita simbiose entre o homem e a Terra contrasta com a brutalidade da (sobre)vivência na metrópole actual.
Um filme feito de analogias de incomparável perspicácia. Filmado no mundo.
E atirado ao mundo, como uma pedrada num charco.

24 países, vistos em 3 meses, montados num dvd imperdível (mas difícil de encontrar).
Baraka é, também, um filme, documentário lindíssimo, de uma serenidade avassaladora,
de uma beleza cortante.
Baraka é, na verdade, não um sopro, mas um grito. Dado quase em silêncio, sem vozes nem legendas - apenas imagens embrulhadas numa banda sonora cirúrgica.
Baraka é, em última análise, o berro sufocado de um planeta, onde a perfeita simbiose entre o homem e a Terra contrasta com a brutalidade da (sobre)vivência na metrópole actual.
Um filme feito de analogias de incomparável perspicácia. Filmado no mundo.
E atirado ao mundo, como uma pedrada num charco.

24 países, vistos em 3 meses, montados num dvd imperdível (mas difícil de encontrar).
infinito
Hoje, o mar está particularmente infinito.
Há uma linha concreta que separa a água e o céu, em dois tons de azul profundo.
O mar plano e tão sereno que julgo que se quiser andar sobre ele nem me molho. Poderei pousar os passos, primeiro um, depois outro, direito, esquerdo, direito, esquerdo, dir
Até alcançar a harmonia, o lugar perfeito, onde o homem e a natureza não se agridem mutuamente. O lugar em que a paz vive como rainha a flutuar num reino só seu.
Hoje, o céu está particularmente infinito.
Há uma linha concreta que separa a água e o céu, em dois tons de azul profundo.
O mar plano e tão sereno que julgo que se quiser andar sobre ele nem me molho. Poderei pousar os passos, primeiro um, depois outro, direito, esquerdo, direito, esquerdo, dir
Até alcançar a harmonia, o lugar perfeito, onde o homem e a natureza não se agridem mutuamente. O lugar em que a paz vive como rainha a flutuar num reino só seu.
Hoje, o céu está particularmente infinito.
terça-feira
fui!
Cansada da areia, das coisas terrenas, de um chão seguro, de um contexto duro, da brusquidão dos passos em corrida, de me assentar nos pés...
Ganhei braços para remar, voar ainda não... quem sabe um dia?
A água a vestir-me a pele, e uma prancha a sustentar-me a gente.
O corpo gelado a sentir-se estranhamente bem...
A espuma na cara, o mar escorregadio até à boca, a saber a sal.
E o sol a brilhar nele, em sorrisos de todas as cores.
Diziam-me a toda hora o quanto era bom. Quis entender. E agora
sei.
Ontem fui. E amanhã...
vou!
Ganhei braços para remar, voar ainda não... quem sabe um dia?
A água a vestir-me a pele, e uma prancha a sustentar-me a gente.
O corpo gelado a sentir-se estranhamente bem...
A espuma na cara, o mar escorregadio até à boca, a saber a sal.
E o sol a brilhar nele, em sorrisos de todas as cores.
Diziam-me a toda hora o quanto era bom. Quis entender. E agora
sei.
Ontem fui. E amanhã...
vou!
sexta-feira
rolling stones
Apercebi-me que na vida, o melhor mesmo é não stressar nem dar demasiada
importância às coisas. Tudo se resolve. O Nuno diz que a minha
frase preferida é
- tudo é relativo.
Nunca tinha reparado, mas digo isso muitas vezes.
E é verdade... aquilo que de vez em quando nos parece um
precipício acaba normalmente por se revelar apenas uma pedra no
caminho...
... tantas vezes preciosa.
importância às coisas. Tudo se resolve. O Nuno diz que a minha
frase preferida é
- tudo é relativo.
Nunca tinha reparado, mas digo isso muitas vezes.
E é verdade... aquilo que de vez em quando nos parece um
precipício acaba normalmente por se revelar apenas uma pedra no
caminho...
... tantas vezes preciosa.
quinta-feira
a representação do Eu
A obra de Goffman, com o título The Presentation of Self on Everyday Life
(A Representação do Eu) proporciona-nos observações apuradas e em pormenor acerca das relações entre a fachada que as pessoas apresentam ao mundo e o Eu que essa fachada serve para dissimular.
O emprego da palavra "fachada" é, em si próprio, revelador: assinala o papel desempenhado pelos elementos arquitectónicos que fornecem as barreiras atrás das quais as pessoas periodicamente se retiram.
Manter uma fachada pode exigir um enorme dispêndio nervoso. A arquitectura reúne certas condições que permitem aliviar desse fardo os seres humanos. Pode igualmente fornecer-lhes o refúgio onde "se abandonem a si próprios" e sejam simplesmente o que sentem ser.
Edward T. Hall
em A Dimensão Oculta.
(A Representação do Eu) proporciona-nos observações apuradas e em pormenor acerca das relações entre a fachada que as pessoas apresentam ao mundo e o Eu que essa fachada serve para dissimular.
O emprego da palavra "fachada" é, em si próprio, revelador: assinala o papel desempenhado pelos elementos arquitectónicos que fornecem as barreiras atrás das quais as pessoas periodicamente se retiram.
Manter uma fachada pode exigir um enorme dispêndio nervoso. A arquitectura reúne certas condições que permitem aliviar desse fardo os seres humanos. Pode igualmente fornecer-lhes o refúgio onde "se abandonem a si próprios" e sejam simplesmente o que sentem ser.
Edward T. Hall
em A Dimensão Oculta.
terça-feira
Febril
Arde-me a pele. E o corpo parece-me pisado por mil cavalos em marcha apressada, galope sobre os altos e baixos que sou.
Gripe de Janeiro, o corpo dormente e a imaginação sem rédea. Febril. Arde-me a pele. E talvez por isso te imagine aqui e me pareças tão real.
O sol atravessa o estore como água por um passador e espalha-se pelas paredes do quarto em infinitas luzinhas. O brilho dos teus olhos atirado contra a cor sombra que me envolve, a trazer-me o teu sorriso. Sinto-te a dormir no abraço que o meu corpo te dá. Os sorrisos que hão-de vir, os pés descalços a percorrer a areia de todas as praias do mundo, as ruas do Chiado galgadas em dias de inverno.
Arde-me a pele. E no delírio do ardor voo contigo, contra um céu azul e imenso, como um sonho suspenso, e acordo a rir.
Gripe de Janeiro, o corpo dormente e a imaginação sem rédea. Febril. Arde-me a pele. E talvez por isso te imagine aqui e me pareças tão real.
O sol atravessa o estore como água por um passador e espalha-se pelas paredes do quarto em infinitas luzinhas. O brilho dos teus olhos atirado contra a cor sombra que me envolve, a trazer-me o teu sorriso. Sinto-te a dormir no abraço que o meu corpo te dá. Os sorrisos que hão-de vir, os pés descalços a percorrer a areia de todas as praias do mundo, as ruas do Chiado galgadas em dias de inverno.
Arde-me a pele. E no delírio do ardor voo contigo, contra um céu azul e imenso, como um sonho suspenso, e acordo a rir.
quarta-feira
acreditas?
Acreditas em amor à primeira vista?
- já nem acredito noutra coisa
respondeu-me.
Sorria, num sorriso sincero. Mas por fora adivinhava-se-lhe um coração pequenino, como se todo o corpo fosse um invólucro transparente que nada escondesse.
- acho que as pessoas são feixes de luz (ou de escuridão) vivendo em diferentes comprimentos de onda e, por isso mesmo, raro se encontram
acrescentou ainda.
Como se fôssemos todos paralelos.
Riscas a desenhar um espaço sem cruzamentos (leia-se entregas).
Linhas às curvas. Curvas aos "S"s. Demasiados "ses".
- acredito apenas em amores à primeira vista, porque me parece que é a única vista que existe. Tudo o resto são olhares que nos passam através, sem se deter.
- já nem acredito noutra coisa
respondeu-me.
Sorria, num sorriso sincero. Mas por fora adivinhava-se-lhe um coração pequenino, como se todo o corpo fosse um invólucro transparente que nada escondesse.
- acho que as pessoas são feixes de luz (ou de escuridão) vivendo em diferentes comprimentos de onda e, por isso mesmo, raro se encontram
acrescentou ainda.
Como se fôssemos todos paralelos.
Riscas a desenhar um espaço sem cruzamentos (leia-se entregas).
Linhas às curvas. Curvas aos "S"s. Demasiados "ses".
- acredito apenas em amores à primeira vista, porque me parece que é a única vista que existe. Tudo o resto são olhares que nos passam através, sem se deter.
penso
Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.
José Luís Peixoto
em Nenhum Olhar
José Luís Peixoto
em Nenhum Olhar
sexta-feira
venha o diabo e escolha
"Os de esquerda só são capazes de fazer dois tipos de orçamento:
os impossíveis e os errados"
Bagão Félix, hoje, 07 de Janeiro, em entrevista à Sic.
os impossíveis e os errados"
Bagão Félix, hoje, 07 de Janeiro, em entrevista à Sic.