terça-feira
temos um novo papa
Só ainda não se sabe... quem é.
Não é que eu alguma vez tenha ligado muito ao antigo,
mas é a única figura permanente desde que nascemos, não é?
Foi-se
a última réstea de ilusão de que o tempo não passa
e de que os nossos pilares são eternos.
.
Não é que eu alguma vez tenha ligado muito ao antigo,
mas é a única figura permanente desde que nascemos, não é?
Foi-se
a última réstea de ilusão de que o tempo não passa
e de que os nossos pilares são eternos.
.
segunda-feira
fado?
a fatalidade triunfa logo que se crê nela.

Texto de Simone de Beauvoir;
fotografias de Helena Almeida, Colecção Berardo,
em exposição no Museu de Arte Moderna de Sintra
.

Texto de Simone de Beauvoir;
fotografias de Helena Almeida, Colecção Berardo,
em exposição no Museu de Arte Moderna de Sintra
.
quarta-feira
pergunto...?
Na 6ª feira consegui uma proeza brilhante: fui à missa-de-corpo-presente de uma pessoa que morreu para mais de 15 anos...! Mais... consegui arrastar comigo a Y, que me dizia "mas Rita, esse avô dela já morreu!". E eu insistia. Que não, que estava vivo, que transpirava saúde e por isso mesmo estava pouco em casa. Conclusão, não só fui ao funeral errado como ainda levei companhia!
Até aqui, trágico... mas nefasto mesmo foi chegar à igreja e não perceber o engano. Foi estranhar a madalena, neta do pseudo-falecido, não estar lá e não somar 2+2; falar com um abraço solidário ao pai dela, que só lá estava para entregar, ele próprio, um abraço solidário... como se fosse ele o filho do defunto; fazer o mesmo com a mãe dela. E nem sequer cumprimentar com um olázinho uma família inteira deveras lacrimejante... de fio a pavio íntima lá de casa. Tudo bem, se não tivesse sido vista...
mas pior ainda é que fui.
Até aqui descansadita, com a noção do dever cumprido! eis que me liga a madalena, cujo avô paterno morreu nem ela sabe quando, mas que, felizmente tem outro vivinho da silva, esfregada em lágrimas, a perguntar que mensagem era aquela... sim, aquela que eu tinha mandado, a dizer minha querida, soube do teu avô, estranhei não te ver na missa, mas aqui fica um beijinho grande etc e tal. Meu... e da Y.
Foi preciso isto para se fazer luz na minha cabecinha anestesiada e perceber que não... não era o avô dela que jazia no caixão. Mas, como é óbvio, parti-me a rir com o engano... eu e a Y, agarradas ao corrimão da garagem e à barriga; a madalena a chorar, fazendo jus ao seu nome; e nós sem repararmos que ela ainda não tinha percebido o engano... Até que recuperámos o fôlego.
Reposta a ordem, ainda em fungadelas, explicou-nos que tinha ligado à outra avó, a perguntar se o marido tinha morrido, que é uma pergunta sempre simpática de se ouvir...! felizmente que se lhe entremelou a voz, não proferiu palavra e desligou o telefone na cara da senhora.... a quem certamente teria provocado um ataque cardíaco.
E eu pergunto: será que estas coisas também acontecem às pessoas normais?
.
Até aqui, trágico... mas nefasto mesmo foi chegar à igreja e não perceber o engano. Foi estranhar a madalena, neta do pseudo-falecido, não estar lá e não somar 2+2; falar com um abraço solidário ao pai dela, que só lá estava para entregar, ele próprio, um abraço solidário... como se fosse ele o filho do defunto; fazer o mesmo com a mãe dela. E nem sequer cumprimentar com um olázinho uma família inteira deveras lacrimejante... de fio a pavio íntima lá de casa. Tudo bem, se não tivesse sido vista...
mas pior ainda é que fui.
Até aqui descansadita, com a noção do dever cumprido! eis que me liga a madalena, cujo avô paterno morreu nem ela sabe quando, mas que, felizmente tem outro vivinho da silva, esfregada em lágrimas, a perguntar que mensagem era aquela... sim, aquela que eu tinha mandado, a dizer minha querida, soube do teu avô, estranhei não te ver na missa, mas aqui fica um beijinho grande etc e tal. Meu... e da Y.
Foi preciso isto para se fazer luz na minha cabecinha anestesiada e perceber que não... não era o avô dela que jazia no caixão. Mas, como é óbvio, parti-me a rir com o engano... eu e a Y, agarradas ao corrimão da garagem e à barriga; a madalena a chorar, fazendo jus ao seu nome; e nós sem repararmos que ela ainda não tinha percebido o engano... Até que recuperámos o fôlego.
Reposta a ordem, ainda em fungadelas, explicou-nos que tinha ligado à outra avó, a perguntar se o marido tinha morrido, que é uma pergunta sempre simpática de se ouvir...! felizmente que se lhe entremelou a voz, não proferiu palavra e desligou o telefone na cara da senhora.... a quem certamente teria provocado um ataque cardíaco.
E eu pergunto: será que estas coisas também acontecem às pessoas normais?
.