segunda-feira

previsão de um planeta

By the end of this century, our planet may look very different from how it does today. Many small island nations might no longer exist, inundation of coastal areas could lead to the displacement of hundreds of millions of people, and former agricultural lands could become unable to support crops.
While all countries are vulnerable to the consequences, developing countries are especially at risk. Their economies will suffer most from the heightened frequency of extreme droughts, floods and storms associated with climate change. There is a real risk that climate change could undermine human development.

We must not let that happen.


Kofi A. Annan,
UN Secretary-General

quarta-feira

a insustentável consequência da inconsequência

Saiu do edifício, como quem entra numa nuvem quente. Lá fora o ar era seco, de um calor áspero. Daqueles que não sabem bem nem escorregam.
Escorregava-lhe a pele, logo depois.
O preto do alcatrão a sugar todos os raios, o betão quente a reflecti-los. No cruzamento das ruas todos os tubos de escape aumentavam 10 graus à temperatura da cidade; os motores dos ares condicionados, voltados para o passeio, abafavam outros 10.
Porém, foi só quando olhou os jacarandás da avenida - que deviam estar repletos de florinhas roxas por esta altura - e os viu definhados à força da seca, que sentiu.
Que a seca é real. Que as alterações climáticas também. Que a cidade é uma ilha de calor cujos solos tornámos impermeáveis até Mafra.

Que o mundo padece. E se acinzenta.

No autocarro, um bebé ria tranquilo.
Sorriu-lhe. Mas o seu sorriso era triste,por dentro era agonia.
.

sexta-feira

tu em todas

Cruzo ruas desertas
Cheias de ninguém.
Olho as janelas vazias onde te debruças
De cada porta aberta
Vejo surgir o teu vulto, em ziguezague,
A dirigir-se a mim
Contra a luz do fim da tarde.

Esbarro com a tua ausência em cada esquina
Encontro o teu sorriso em cada cara de menina.
Todos os sons são o teu nome
Todos os cheiros me trazem o teu corpo.
Navego em solidão
E a solidão, que és tu, chama-me
- louco!
.

quinta-feira

a justa medida

Temos que
dar sempre passos
maiores que os passos que já demos.
Mas nunca passos maiores que as pernas!
Se não,
em vez de vencer medos
Ganhamos medos,
apenas.
.

quarta-feira

se...

Se tivesse ido, se tivesse ficado, se tivesse tentado, se tivesse esperado.
Se ao menos gostasses, se eu te quisesse
Se adormecesses, se eu desejasse, se me aprouvesse.

Se não tivesse chovido,
Se o autocarro não tivesse seguido, se eu tivesse entrado.
Se tu tivesses saído, se eu te encontrasse.
Se cá não morasse.
Se tivesse nascido noutro qualquer lugar.
Se não tivesse caído. Rasgado o vestido. Perdido a ilusão.
Se em vez de mulher fosse peixe e vivesse no mar.

Se ao menos tivesse aberto a porta.
Se tivesse dito... que não!
Se.

Que me importa?
Se todas os se’s são realidades que nunca o foram.
Nem serão.
.

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